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01 julho 2010

E tem como não se sentir em casa?

Brasileiros invadem a áfrica do sul e fazem da copa um verdadeiro carnaval
Por: Leandro Gaignoux

Que nós brasileiros gostamos de festa, não é novidade para ninguém, agora você já imaginou como ficamos quando estamos presentes em uma Copa do Mundo? Com certeza é farra e animação o tempo todo, basta chegar em algum lugar, ouvir a batucada e procurar os brazucas no comando. Isto é uma afirmação exata, como dois mais dois são quatro, parece que está no nosso sangue.



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Andar com uma camisa ou algo que faça referência ao Brasil é ter certeza que receberá algum tipo de demonstração carinhosa em relação ao nosso país, muita das vezes este fato aconteceu comigo e com muitos brasileiros que estão por aqui.O interessante é que nesta copa foi possível ver diversos carros enfeitados com bandeiras canarinhas, depois da eliminação dos Bafanas-Bafanas os torcedores locais escolheram a seleção brasileira como time preferido para torcer.


No início do mundial fui até a Praça Nelson Mandela Square, um dos lugares mais bem freqüentados de Johanesburgo, para conferir o movimento dos fãs. Chegando lá o primeiro sentimento que tive foi o de estar me sentindo em casa, foi só ouvir o sambinha para ter esta agradável sensação. Também fiquei surpreso ao ver sul-africanos, argentinos e alemães no meio do batuque brasileiro tentando arriscar uma tímida sambadinha.

Estes fatos demonstram a admiração que eles têm por nós, estou aqui há um ano e meio e sempre fui bem tratado por onde passei. Foi só falar que era do Brasil para eles me falarem de carnaval e Ronaldinho Gaúcho, este é o jogador brasileiro que mais admiram e sempre me questionam porque o Dunga não o convocou para a copa do mundo.

Todos sabemos que a África do Sul mesmo após o regime do Apartheid ainda sofre com algumas cicatrizes, e como somos vistos pelos dois lados? Bem, os negros nos adoram, estes possuem o mesmo espírito festeiro. Já os brancos, bem como o jeito europeu de ser, é mais fechado e sério, mas nada que com o tempo mude. .A verdade é uma só: Brasileiro é adorado por onde passa, seja aqui na África ou em qualquer outro lugar.

18 junho 2010

Uma África que busca o seu espaço

As marcas do passado estão presentes entretanto, há uma baita alegria e disposição para festejar a todo o momento.
Por: Leandro Gaignoux

Quando alguém lhe pergunta sobre o que sabe em relação a África, certamente você responde que é um continente devastado pela miséria, problemas sociais e injustiças, correto? Talvez esta seja a sua resposta pelo fato destes temas serem os que mais espaço tem na mídia internacional quando se fala deste povo. Por séculos foram obrigados a se submeter a uma política de exploração e violência por parte do colonizador europeu, que só viu a terra como mão-de-obra e matéria-prima em benefício próprio.

E a oportunidade de mudar esta “visão” foi dada, pela primeira vez os africanos serão sede de um grande evento esportivo de apelo mundial, tendo a oportunidade que para mostrar ao mundo uma África diferente do habitual e não estigmatizada. Esta missão coube aos sul-africanos, já que a África do sul é país mais estruturado e com condições de realizar este tipo de competição comparando com os demais.

Para se ter uma idéia do caldeirão de culturas que é a África do sul, basta fazer uma pesquisa sobre os idiomas oficiais do país e ver que são formados por doze no total, tendo cada uma sua particularidade e forma de pronuncia, deixando o turista que chega ao país, perdidinho no primeiro momento. Os negros são 79,3% da população, representando a maioria e se dividindo em diversas tribos, brancos tem 9,1%, indianos e colorados (como chamam os mestiços) possuem 11,6% do restante.

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É de se pensar que pelos sérios problemas vividos por esta nação como o Apartheid, política de segregação racial que esteve presente no país de 1948 até 1994, o sentimento de sofrimento e revolta ficasse enraizado, fazendo com que isto dificultasse convívios futuros. Dizer que as marcas do passado não estão presentes seria uma afirmação não muito verídica, entretanto é possível ver um povo historicamente oprimido com uma baita alegria e disposição para festejar a todo o momento. Exemplo disto é uma simples partida de futebol, onde torcedores se fantasiam e cantam o tempo todo, buscando a alegria e só querem saber de farrear, esquecendo as dificuldades que encontram no dia-a-dia.

Com os sul-africanos tendo a melhor estrutura no continente para sediar um mundial, mesmo assim algumas obras não foram finalizadas, com isso muitas críticas foram geradas por parte da imprensa internacional, pois a mesma questionava a capacidade dos africanos. Na minha opinião, o quesito empolgação não será tema de discussão, pois depois de um ano e meio que moro aqui, vejo nos africanos uma imensa vontade de mostrar ao resto do planeta a sua cultura.





Por: Leandro Gaignoux

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