06 novembro 2013

Quem tem medo da transição?


Acho a maioria das meninas de cabelos crespos já sofreram com o estica e puxa do pente quente ou chapinha para alisar as madeixas. Vivemos numa sociedade onde os lisos são bonitos e agora, depois de muito custo e sofrimento com química, os crespos estão tendo a sua vez. Agora ser black também é lindo e, por isso, surge outro problema: o temor da transição. Sair da química e deixar o cabelo natural requer muita paciência, pois terá que tomar uma série de cuidados com o cabelo e ter coragem para cortar.


Segue o depoimento da Maria que passou por esta fase e agora esta realizada com o resultado. O relato mostra o que as meninas sentem neste período.

“Minha história é o seguinte: sempre tive os cabelos crespos e difíceis de arrumar. Me lembro muito dos meus choros, quando ainda criança, na hora de sair por causa do cabelo que sempre ficava horrendo. Mas o tempo passou e ,por volta dos meus 15 anos, comecei a fazer relaxamento somente na raiz para baixar o volume, fiz isso até os meus 34 anos.

Foi aí então que conheci a comunidade Cabelos Cacheados no Orkut, passei a visitar a página todos os dias buscando uma solução pois, já estava cansada de relaxar o cabelo. Ele caia, ficava ressecado e o pior, eu relaxava só a raiz, mas um dia a raiz virou ponte e os cachinhos das pontas sumiram e ficara só uma bucha.

Depois de ler muitos comentários e experiências das meninas da comunidade, resolvi que deixaria de relaxar o cabelo e assumiria o natural, mas tinha muito medo disso, pois quando eu lembrava da luta de arrumar o cabelo quando criança pensava que nunca conseguiria usar ele natural, pois duvidava muito que ficaria ajeitado e bonito. Mas mesmo assim queria tentar. Eu só relaxava o cabelo de 8 em 8 meses. Quando eu tive coragem para cortar o cabelo, já fazia 1 ano e 8 meses que estava sem relaxar, pois não queria mais relaxar o cabelo, mas ainda tinha muito medo de cortar e ficar mais feio ainda.

Fui ao meu cabeleireiro e pedi pra ele cortar. Ele cortou só um pouco, pois disse que eu iria me arrepender. Voltei lá outro dia e pedir pra ele cortar de novo, ele cortou mais um pouco. Na verdade ele não tinha coragem de cortar porque por vários anos arrumei cabelo com ele, e na hora de cortar as pontas eu brigava muito para ele tirar o mínimo possível, por isso ele tinha receio de eu me arrepender.

Por fim fui à outra cabeleireira e pedir pra ela para cortar, ela de imediato disse: - vamos logo tirar toda a parte que tem química, aí fica logo todo natural. Eu disse: - É isso mesmo que eu quero! Desde esse dia foi só maravilhas, curti todas as fases dele, curtinho, médio e agora. Ele tá bem maior. Cuidava dele com todo o carinho, fiz rios de hidratações, nutrições e reconstruções, tudo em casa. Comprei vários produtos e ele respondia bem a todos eles.

Posso dizer que hoje ele mudou o meu jeito de ser. Recebi muitas críticas quando cortei, pois sempre tive fios longos. Mas confesso que hoje recebo elogios sempre. Sei que ele ainda não tá no tamanho que eu quero, mas amo quando passo na rua e vejo que muitas pessoas dizem: - Nossa que cabelo lindo! Ah, eu me acho mesmo com meu cabelo crespo e natural. Rs...

A história tá resumida viu? Se eu fosse contar tudo detalhado era um jornal bem maior que este.”.

3 comentários:

  1. Feliz demais por vê um pouco da minha história de transição postada aqui.

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  2. Gostei mt. Ser crespa é tudo de bom;)

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  3. Nossa! Tô com meu curtinho e sem química. É um processo demorado e é preciso ter coragem. Adorei a sua história! Cortei o meu a quase 2 meses e o que eu mais ouvi foi: Porquê vc fez isso? Não ficou legal não!

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