03 fevereiro 2011

IV Seminário de Inserção e Realidade Parte 4 de6

A maioria era negra.
Por: Fernada Moraes

E quando eu digo que a maioria era negra, não falo da platéia, mas, sim, dos palestrantes presentes na mesa.Um pouco diferente do dia anterior...

Fazendo valer a votação das mulheres participantes na mesa, Aduni Benton, Diretora de Artes Cênicas da Cia "É Tudo Cena!", compôs a mesa do dia 26 de Janeiro, cujo tema era "Repensando o Negro".

"A dimensão histórica da 'questão do negro'; as estratégias principais dos movimentos negros; as metamorfoses do negro,da escravidão à atualidade;a peculiaridade so racismo brasileiro;comparação com os modelos clássicos de racismo;história do negro e história do Brasil:autonomia e fusão;formação das elites negras no esporte,nas artes,na cultura intelectual,na sociabilidade."


1°Palestrante - Aduni Benton 2°Palestrante - Joel Rufino 3°Palestrante - Muniz Sodré 4°Palestrante - Carlos Alberto Medeiros



Saudando Exú, que é o orixá da comunicação e Xangô que é o orixá da JUSTIÇA, a diretora Aduni Benton deu início a sua palestra, que era mais do que uma simples palestra, era finalmente o manifesto das mulheres negras, antes excluídas daquele seminário.

O discurso foi breve, mas o recado foi dado. A palestrante, que se descobriu negra aos 30 anos de idade, fez questão de lembrar que cada uma de nós, somos muitas: Mães, filhas, atrizes, diretoras, jornalistas...

Lembrou também que o manifesto sobre a falta de mulheres negras no seminário começou no Facebook, citou nomes como o de Tatiana Tiburcio que escreveu uma carta ao jornalista Haroldo Costa sobre o ocorrido. Leia aqui!

"As meninas vão entrar". Entraram e fizeram bonito... Fizeram história.

Segundo palestrante do dia, o historiador Joel Rufino, fez uma enorme observação com uma certa indagação de Otelo: "Cadê o Movimento Branco?!"
Joel ainda afirma que o negro precisa se valorizar, se movimentar e se apresentar. Deixando claro que o "o Movimento Negro contemporâneo é produto da falta de espaço" segundo ele próprio. Ainda em sua palestra, Joel afirma que é preciso distinguir o RACISMO,O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO. É preciso que saibamos para recorrermos aos nossos direitos.

Muniz Sodré, jornalista e sociólogo, foi o terceiro palestrante da mesa. Com seu discurso breve tratou sobre a diáspora das etnias africanas.

O quarto e último palestrante do dia, Carlos Alberto Medeiros, foi sucinto e criticou o "jeitinho" brasileiro de achar que discutir o racismo é gerar racismo. A discussão PRECISA ser feita. E não podemos reproduzir o discurso do dominante.

Ainda segundo o jornalista, o negro contemporâneo não tem medo de denunciar o mito da democracia racial.Vai além: O Movimento Negro atual trouxe e continua trazer a beleza.

"Antigamente só poderia ser negro ou belo, as duas coisas juntas não existia!"
Carlos Alberto passou por várias questões que precisam ser debatidas pelo negro, como as cotas, que mal ou bem, segundo o próprio jornalista, geram um certo debate. Outra questão é do discurso elitista de que no mundo só existe uma raça, a humana. Que somos todos iguais perante Deus... Pois é, perante DEUS! Mas, ao mesmo tempo é essa mesma elite que afirma que existe uma miscigenação. Miscigenação de quê, se somos todos uma ÚNICA raça?!

E você, já parou pra pensar que pode estar reproduzindo um discurso equivocado?

Ao final do debate, Aduni Benton voltou a questionar sobre a falta de mulheres negras na mesa. Explicou aos presentes que não estavam a par dos acontecimentos de que havia acontecido uma votação e que seu nome havia sido indicado para compor a mesa.Em seguida, Milton Gonçalves pediu novamente desculpas e afirmou que não houve nenhuma discriminação por parte do evento.

Em entrevista ao Trança *Nagô*, a diretora Aduni Benton afirmou que o Movimento Negro tem um papel fundamental na sociedade atual.

"Nós estamos hoje com dois movimentos importantes na questão da mídia. Uma é a cerveja Devassa que está usando a imagem da mulher negra pra vender cerveja e também de uma marca de lingerie que está usando a imagem de Iemanjá também pra vender lingerie. É uma questão de respeito, tanto da imagem da mulher, quanto a da religiosidade que são dois pontos fundamentais pro Movimento."

Quando questionada sobre o seminário, Aduni disse que o ocorrido também é fruto desta mesma manifestação, da integração e da consciência desse Movimento Negro. “Porque se não fosse desta forma, nós - mulheres - não estaríamos aqui. Não tem como esquecer uma mulher negra em um seminário. Isso não cabe mais. Não tem mais justificativa! É o olhar atento do Movimento Negro que denuncia esse tipo de atitude.”



Antes mesmo do segundo dia de seminário dar início, era possível observar que o grande tema não eram os negros. Mas, sim, a relação entre os homens negros para com mulheres negras. A grande pergunta que fica é: Mesmo se não houvessem mulheres negras como palestrantes, vocês, homens negros, participariam de tal evento?

Eu prefiro acreditar que não!

Por: Fernada Moraes

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